quinta-feira, novembro 22, 2007

Divulgação Científica

Image:CosmosCarlSaganDVDC.jpg

O Adolfo Sachsida escreveu um texto bem interessante sobre o problema da qualidade nas escolas brasileiras, e vou usar como gancho a frase:
"Outro problemas sério é que no Brasil a maior parte das escolas privadas têm como principal objetivo preparar um aluno para o vestibular."

Um grande problema aqui no Brasil é que dada a baixa qualidade das escolas, a escolha do curso pelo superior pelo aluno em geral é dada por critérios como o curso que os amigos estão fazendo, o curso da "moda", e o rendimento experado que o curso vai proporcionar (que em geral é uma estimação bem pouco racional em boa parte dos casos), e em muitos casos o curso que o aluno pode cursar por restrições de renda. Este é um problema de pesquisa econômica bem interessante, já que eu duvido bastante da racionalidade econômica desta escolha.
O que acontece é que em boa parte dos casos os alunos desconhecem quase completamente o curso que querem cursar, e nisso o problema das escolas brasileiras do foco no vestibular não ajuda em nada, concordando com a opinião do Adolfo Sachsida. Não se forma alunos, e sim máquinas de fazer prova.
Na minha opinião a melhor fonte de conhecimento para um aluno está na literatura de divulgação científica, e neste campo os cursos nas áreas de exatas estão em geral muito bem servidos.
Me lembro do deslumbre que eu tinha assistindo a série Cosmos do Carl Sagan que passava na Globo de manhã. O episódio 8 "Travels and Space and Time" eu me lembro como se tivesse assistido hoje. Também me lembro de uma outra série sobre física que passava na tv cultura que era fascinante, Universo Mecânico (o episódio sobre relatividade especial era genial). Outras fontes de informação são muito importantes para despertar o interesse. No meu caso posso descrever que muito do que me interessou em economia seria uma imagem análoga ao conceito de psicohistória que está nas obras do Isaac Asimov:
"Psychohistory is the name of a fictional science, which combined history, sociology, and mathematical statistics, in Isaac Asimov's Foundation universe, to create a (nearly) exact science of the actions of very large groups of people"

Esta era a minha visão do tipo de comportamento que aconteceria em uma economia, uma bolsa de valores, etc. Note que meu interesse por economia não veio diretamente de nenhum fonte de informação ligada diretamente a economia. E este é meu ponto - as fontes de divulgação científica relacionadas a economia são extremamente pobres, em todo o mundo, e em especial no Brasil.
A discussão econômica que atinge os não-acadêmicos no Brasil é de uma qualidade tão baixa que nem vale a pena nem perder tempo discutindo, ainda mais nos dias atuais aonde nossos institutos de pesquisa econômica são rifados por interesses políticos.
E quando os alunos entram em muitas escolas de economia são bombardeados com uma mistura de um curso de economia totalmente defasado (exemplo - ficar discutindo as críticas de Sraffa a microeconomia neoclássica - uma discussão dos anos 30!!!) com os piores interesses políticos possíveis. O saldo está aí - é só ver o problema do Ipea.

Por isso eu acho muito positiva a iniciativa dos ebooks com a discussão sobre o fundamento econômico dos ditados populares , já que são uma forma de se fazer divulgação científica de qualidade. O mais importante para um professor de economia é despertar nos alunos o interesse pela teoria econômica, e isso só é feito usando discussões interessantes e relevantes, como alguns nobres professores lutam para fazer.

Na minha opinião o papel do professor consiste em apenas duas tarefas - primeiro despertar interesse pela matéria que está ensinando, e em segundo lugar tentar direcionar da melhor forma possível o aluno para o conteúdo de fronteira. O resto é com o aluno.

4 Comments:

Blogger Chanis said...

Concordo em todos os pontos. Ainda mais que, no meu caso, fiz uma péssima escolha na época do vestibular: cursar economia. Não tinha noção do que era a coisa e prestei porque era demandavam alguma escolha minha. Até cheguei longe dado a minha picaretagem com a ciência. Todavia, deu tempo e coragem para mudar o rumo profissional. Belo texto!

9:37 PM  
Anonymous Cleiton said...

Belo texto. Aqui na UFRN a disciplina "teoria microeconômica I" trata justamente dessas críticas de Sraffa à teoria neoclássica. A disciplina "teoria macroeconômica I" toma como referência o livro "macroeconomia sem equilíbrio" do Macedo e Silva. Sem contar as duas disciplinas de economia marxista. O pior é que a maioria dos alunos aceita tudo como verdade absoluta.

12:33 PM  
Anonymous Cleiton said...

Belo texto. Aqui na UFRN a disciplina "teoria microeconômica I" trata justamente dessas críticas de Sraffa à teoria neoclássica. A disciplina "teoria macroeconômica I" toma como referência o livro "macroeconomia sem equilíbrio" do Macedo e Silva. Sem contar as duas disciplinas de economia marxista. O pior é que a maioria dos alunos aceita tudo como verdade absoluta.

12:33 PM  
Blogger ph said...

Sou jornalista e tenho mestrado em história da ciência. Fiz um curso de economia para jornalistas no Ibmec-SP em 2000.
Agora,decidi fazer outra graduação. Por gosto, faria economia, mas o curso da UFSC é excessivamente ideologizado. E olhando o currículo, dá pra ver que dos cinco anos do curso, metade é economia de verdade - o resto é papo furado. Daí desisti e vou tentar sistemas de informação. Economia e informação, tudo a ver.

4:14 PM  

Postar um comentário

<< Home